Quanta gente me pergunta: Sergio, qual é o chaveco? Qual é a
fórmula da paquera? E eu nunca respondo a essa pergunta
diretamente porque a resposta não é tão óbvia assim. Sempre
podemos aprender algo mais sobre a arte da paquera. E uma
forma de fazer isso é observar o jeito que os outros atuam na
conquista. Somente "entrando na fogueira" é que você vai se
aprimorar na sua própria forma de paquerar.
Outra questão que me apresentam muito é: mas a paquera pode
ser aprendida? Cada um não tem o seu jeito natural de
paquerar? Antes fosse assim. O problema é que a maior parte
das pessoas está bem longe da naturalidade. Estão travadas,
bloqueadas.
Então há que se fazer um trabalho para que você volte ao seu
estado natural, que foi tremendamente deformado pela sua
formação, pela família, pela sociedade. A espontaneidade é o
estado original de nós mesmos, mas durante a vida vamos
passando por situações humilhantes, inseguranças, medo do
ridículo, medo de ser rejeitado, medo do desconhecido.
Isso tudo vai fazendo com que a gente se encolha. Sentimos uma
coisa e manifestamos outra. Aí dá tudo errado. Uma paquera sem
espontaneidade não pode dar certo. Você ensaia o que vai
falar. Fica artificial.
O primeiro sinal de que uma pessoa não está à vontade é o seu
corpo. Uma pessoa com excesso de autocrítica anda meio
esquisita, se move de uma forma dura, estranha. O seu gestual
denuncia, a todo momento, que ela não esta à vontade: os
braços, as mãos, o que fazer com eles? Quando abre a boca,
então, fica evidente. O movimento dos lábios é tenso. A boca
entorta toda. Quem não conhece aquele sorriso X típico de quem
não está com nenhuma vontade de sorrir?
Alguém que está se sentindo fechado para um novo contato,
cruza os braços, fecha a cara, franze a testa, mostrando
seriedade. Abaixa a cabeça, não olha para frente, fica para
dentro. E como é difícil chegar numa pessoa como essa! Só se
for com talhadeira! São muitas as máscaras corporais que
podemos adotar quando não estamos espontâneos.
Os tímidos são craques nisso. Nem sempre eles adotam a famosa
postura do tímido: cabisbaixo, pés voltados para dentro,
ombros erguidos, receio de olhar para a outra pessoa. Com este
jeito é fácil a gente identificar o tímido. Mas nem sempre ele
é tão claro. Para se defender, o tímido muitas vezes se arma
com uma postura que poderia ser identificada como de uma
pessoa orgulhosa. Então, para quem está querendo paquerar uma
pessoa dessa vai parecer que ela é snob, é orgulhosa. E no
fundo, sabemos que não é nada disso.
Veja só: quantas formas de estarmos afastados de nossa
espontaneidade! Quantas vezes você não esteve louco para falar
com alguém do seu interesse e nunca falou. Ficou frustrado por
isso. Ou, quantas vezes você começou a falar e sentiu-se
totalmente inconveniente nas suas palavras. Como fazer então
para sair disso? Como fazer para voltar a ser uma pessoa
espontânea e natural?
O trabalho nem sempre é fácil. Voltar a ser natural e
espontâneo exige que você se envolva muito no processo, muitas
vezes precisando até da ajuda de um profissional. Há que se
rever a sua história, há que se rever as crenças a respeito de
si mesmo. Além disso é preciso trabalhar o corpo, soltando-o,
desinibindo-o. Neste sentido as terapias corporais, a biodança,
dança de salão, massagem, podem ser bastante úteis. Acredito
que só o trabalho corporal ou só o trabalho de elaboração
mental são insuficientes. Há que se trabalhar todo o conjunto
de uma forma integrada.
Quando me chamam de professor de paquera muitos acham que eu
vou dar dicas, que eu vou ensinar como se faz. Mas eu prefiro
deixar claro que o meu negócio é ajudar a pessoa a se
destravar, a acreditar mais nelas mesmas, a ficarem mais
espertas e acordadas para a paquera. Tudo está em voltar a ser
espontâneo.
* Sérgio
Savian é terapeuta holístico corporal e dá aconselhamento
sobre paquera e sexo.